Vantagens e limitações do plantio direto em diferentes tipos de solo
Em 2024, o Canal Rural publicou uma entrevista com o pesquisador da Embrapa Solos, Pedro Luiz de Freitas, em que se afirmou que o plantio direto já é feito em cerca de 32 milhões de hectares no Brasil. Os produtores nacionais passaram a adotar tal prática em 1974 e seguem até a atualidade.
Também chamado pela sigla SPD (Sistema de Plantio Direto), o plantio direto nada mais é do que um modelo agrícola em que a semeadura da soja é feita diretamente no solo já existente, sem mudanças drásticas em sua estrutura. Naturalmente, há pontos positivos e negativos aí.
Na realidade, os pontos negativos se relacionam a incompatibilidades com o solo em que a cultura será plantada. O que funciona para um tipo de plantio pode não ser adequado a outro.
Você chegou ao blog de Brasmax Genética. Abaixo, abordaremos as vantagens e limitações do plantio direto em diferentes tipos de solo. Leia com atenção!
O que é o plantio direto?
O plantio direto é muito mais do que apenas uma técnica agrícola. Em vez de preparar a terra com arados e grades, esta proposta propõe uma parceria: o agricultor cuida do solo para que este cuide da plantação.
A cada safra, em vez de arar a terra, o agricultor deixa os resíduos da colheita – a famosa palhada – sobre o solo. Essa manta natural protege a terra do sol, do vento e da chuva, evitando a erosão e a perda de nutrientes.
A semente da soja ou outra cultura é depositada diretamente nessa palhada, usando máquinas especiais que abrem apenas um pequeno sulco. O resultado é um solo mais vivo, fértil e capaz de produzir alimentos de forma mais sustentável, ano após ano.
Pilares do plantio direto
Para ser considerado plantio direto, o sistema deve seguir três princípios fundamentais:
- mínimo ou nenhum revolvimento do solo: a terra não é preparada para o plantio. A semeadura é feita usando máquinas especiais que abrem apenas um pequeno sulco no solo, o suficiente para depositar a semente e o fertilizante;
- cobertura permanente do solo: a superfície do terreno deve estar sempre coberta com palhada, que são os restos de culturas anteriores. Essa camada protetora é essencial para manter a umidade, proteger da erosão e controlar o crescimento de plantas daninhas;
- rotação de culturas: é a alternância de diferentes espécies de plantas na mesma área ao longo do tempo. Isso é importante para melhorar a fertilidade do solo, quebrar o ciclo de pragas e doenças, e otimizar o uso de nutrientes.

3 tipos de solos e suas vantagens e limitações no plantio direto
A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) lista 13 classificações de solo no Brasil, entre os mais comuns e utilizados para a agricultura e os que não são adequados ao plantio. Buscando manter o foco do nosso levantamento, selecionamos os mais comuns no território brasileiro.
1. Latossolo
Conforme levantamento do Sistema Brasileiro de Classificação de Solos (SiBCS), o Latossolo ocupa cerca de 39% de todo o território brasileiro, sendo o mais abundante dentre os tipos. Ele está presente em regiões equatoriais e tropicais e têm importância para o agro nacional.
Vantagens do latossolo
As áreas de latossolo possuem uma elevada profundidade, boa capacidade de drenagem e homogeneidade, o que os tornam espaços de fácil manejo para o agro. Aliado a isso, há a sua abundância, com a prevalência em várias regiões como: Cerrado, Sudeste e Amazônia.
Limitações do latossolo
O “fácil manejo” do latossolo mencionado anteriormente vem muito a calhar, pois se trata de um tipo de solo com baixa fertilidade natural e alta acidez. Essas são características que podem ser corrigidas e alinhadas com o manejo adequado, mas exige atenção constante.
2. Argissolo
Ao abordar as vantagens e limitações do plantio direto em diferentes tipos de solo, os dados do SiBCS, sistema taxonômico de solo da Embrapa, colocam o argissolo na segunda posição dos mais comuns no Brasil, representando cerca de 24% da área do nosso país. Ele tem elevado teor de argila (o que dá seu nome), e está presente em locais como Rondônia, Paraná e Santa Catarina, dentre outros.
Vantagens do argissolo
O primeiro elemento positivo do argissolo para a agricultura é a própria argila, a qual contribui para uma maior retenção de nutrientes, algo essencial a todas as culturas. Há também a boa aceitação da adubação e a “flexibilidade” quanto aos tipos de produtos que serão plantados.
Limitações do argissolo
O estudo “Solos do Estado de SP”, publicado pelo governo de São Paulo, lista os argissolos como tendo elevado potencial de erosão, o que representa um desafio para os produtores logo de cara. Ele também apresenta compactação fácil e uma baixa profundidade.
3. Neossolo
O terceiro tipo de solo mais comum no país, o neossolo está presente em cerca de 15% do Brasil, segundo informações da SiBCS. Assim como os outros dois anteriores, ele não está limitado a uma única região, existindo tanto em altas elevações quanto em planícies.
Vantagens do neossolo
O neossolo é um tipo de solo interessante para o plantio direto à longo prazo, sendo capaz de se adaptar às mudanças exigidas pelas mais diferentes culturas. Isso é especialmente verdade nos espaços eutróficos, onde existe uma maior fertilidade natural.
Limitações do neossolo
Uma limitação mencionada pelo Programa Nacional de Solos do Paraná (PronaSolos PR) em relação aos neossolos é a sua presença em áreas de preservação ambiental, como as matas ciliares. Como fator adicional, há a sua baixa retenção de água e a necessidade de correções.
Qual é o melhor tipo de solo para o plantio direto no Brasil?
Exploradas as vantagens e limitações do plantio direto em diferentes tipos de solo, resta a pergunta: qual deles é o ideal para essa prática? A resposta curta é: depende!
Os 3 tipos (e também os outros) podem funcionar, tudo depende do que os produtores possuem ao seu alcance.
Como mencionamos durante a introdução, o melhor tipo de solo para o plantio direto é aquele que esteja alinhado com as necessidades da cultura e do modelo. Por se tratar de um sistema com baixa interferência, o ideal é que exista uma acidez regulada e fertilidade natural.
Apesar disso, é importante notar que os três listados acima, os quais possuem uma ou outra característica que não se encaixa perfeitamente nos critérios do plantio direto, representam 78% do solo brasileiro. Ou seja: mais do que o tipo “ideal”, há os que temos disponíveis.
A Embrapa menciona que o plantio direto propicia a melhoria da qualidade de solo, água e ar e que estabiliza a renda da agropecuária, o que são razões para se aprender mais sobre o assunto.
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